André Cardoso Vasques,
Advogado, Sócio da Xavier Vasques
Advogados Associados.

Todos nós sabemos que o mundo passa por graves problemas ambientais.

As mais diversas mídias, como jornais, revistas, rádios, televisão e internet, abordam, diariamente, esses graves problemas. 

O planeta pede socorro, não aguenta mais um aumento gigantesco, que não cessa, do número de habitantes e do descaso destes com as questões ambientais. Atualmente somos 7 bilhões e a previsão é que entre os anos de 2045 e 2050 seremos  9 bilhões. Essa população mundial necessita de alimentos e de muita água, que ainda é usada como se fosse um recurso natural infinito. Mais, parcela expressiva da população atual ainda não consome o mínimo necessário para uma vida digna.

A sociedade atual comete inúmeras distorções, principalmente em face do consumo desenfreado, gerando, diariamente, uma quantidade imensa de resíduos sólidos, que somente há pouco tomou consciência que pode e precisa ser tratado e reaproveitado. Segundo o relatório Estado do Mundo 2010, publicado pelo Instituto Akatu (www.akatu.org.br), 16% da população mundial é responsável, atualmente, por 78% do que a humanidade consome. São distorções extremamente graves.

Outro problema contemporâneo é a questão da mobilidade urbana. Não é possível que se continue com a cultura de privilegiar o deslocamento individual através de veículos automotores ao invés de prestigiar a utilização do transporte público ou outros não poluentes e mais saudáveis, como as bicicletas. Todos sabem que o trânsito nas cidades maiores é um caos. Isso é gerado, além do excesso de veículos, por outro fenômeno dos tempos atuais, a população mundial cada vez mais se concentra em espaços urbanos. No Brasil, segundo o Censo IBGE 2010, 84,4% da população vive em centros urbanos.

Os problemas são tantos, como aquecimento global, desmatamentos, poluição, destino incorreto do lixo, que não é possível listar todos nesse pequeno espaço.

Essas questões que há tempos pareciam tão distantes da nossa realidade e interessavam somente à agenda dos ecologistas bateram na nossa porta. Mais, entraram e estão no meio da sala da nossa casa, viraram um problema nosso. É um problema meu e seu. Trata-se da sobrevivência e continuidade da vida no planeta Terra.

A questão acima é extremamente grave e não é possível postergar as soluções.

A notícia boa é que existem soluções e que um mundo sustentável para nós e para as gerações futuras ainda é possível. Muitos estudos foram e estão sendo feitos para encontrar soluções e, felizmente, estão sendo encontradas. Porém, a questão vital é que para que essas alternativas encontradas sejam viáveis são necessárias mudanças nos nossos hábitos.

Recentemente, foi publicado o livro Mundo Sustentável 2, Novos Rumos para um Planeta em Crise, do jornalista André Trigueiro. É daquelas leituras imperdíveis, pela seriedade, profundidade e lucidez com que aborda o assunto. Muitas informações contidas nesse texto foram coletadas da referida obra.

A obra alerta para os problemas acima e muitos outros, contudo, apresenta uma série de medidas para que se consiga atingir a sustentabilidade. Portanto, a mensagem não é de terra arrasada, mas de otimismo.

Fica claro que nós só conseguiremos um planeta sustentável se mudarmos nossas atitudes. Nunca a solução de um problema dependeu tanto de nós.

As empresas, das quais devemos cobrar soluções como consumidores, e o poder público, do qual também devemos exigir como eleitores, têm as suas parcelas de responsabilidade nessa questão. Porém, somos nós os grandes atores deste momento. A continuidade da vida na Terra, um mundo sustentável, está em nossas mãos, é uma prerrogativa da sociedade civil.

Somente com mudanças de hábitos será possível termos um mundo sustentável, atitudes como: a) consumo consciente e não compulsivo; b) tratamento da água com um recurso natural finito que não pode ser desperdiçado; c) cultura do reaproveitamento; d) viabilização ao máximo de uma política de coleta e reaproveitamento dos resíduos sólidos; e) revisão da  nossa mobilidade urbana; enfim, essas são algumas atitudes que mudam o mundo, ou melhor, preservam o mundo e permitem a continuidade da vida.

O que se disse acima nada mais é do que pequenas atitudes, mudanças de hábitos no nosso dia a dia que, sem comprometer a nossa qualidade de vida, ao contrário, melhorando a mesma, podem salvar o planeta. Alguns pequenos exemplos: economizar água, fechando a torneira quando escovarmos os dentes ou fazermos a barba; utilizar o mínimo de sacolas plásticas e mais sacolas retornáveis nas nossas compras, especialmente nos supermercados e comércio; comprar o que efetivamente necessitamos e evitar comprar por compulsão bens que jamais vamos utilizar; prestigiar, como consumidores, as empresas que têm compromisso com a sustentabilidade, que, por exemplo, reduzem o tamanho das embalagens dos seus produtos e/ou utilizam materiais ecologicamente corretos,  fabricam eletrodomésticos que consomem menos energia, veículos menos poluentes; evitar a utilização individual do carro nos nossos deslocamentos do dia a dia etc.

Não é mais possível fingir que o problema não é nosso ou ficarmos no campo do discurso. Mudança de hábitos, essa é a solução e depende de nós.

Um pensamento de Mahatma Gandhi dá o norte da tarefa da sociedade civil, da nossa responsabilidade neste momento: “Sejamos nós a mudança que nós queremos para o mundo”.